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Três coisas que você precisa saber sobre super poderes

Ciências e Tecnologia / , escrito por Renata Rodrigues
superhero

Minha admiração pela ciência não evita que eu me divirta com um bom filme de super heróis. Sou fã de Star Wars, talvez uma das franquias cinematográficas mais cientificamente inviável. Porém, isso não me deixa cego para certas violências que a ciência sofre nos filmes. Vamos falar de 3 casos clássicos que se repetem nas telas.

1 – Levantar algo muito grande e pesado

Não importa quanta força o personagem tenha, seja o super homem ou o He-Man e seu corte de cabelo de gosto duvidoso. Levantar algo pesado de verdade tem sérias limitações físicas. Algo como uma montanha, um navio… …ou sua consciência depois de comer aquele brownie no almoço.

A força que o super herói tem que fazer contra a montanha, deve ser pelo menos maior ou igual a força que o peso que a montanha faria contra o super herói. Ou seja, muita mesmo. A mesma força seria propagada no chão.

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Ele não está fazendo nada incrível, mas não tente com poucos pregos.

Tanta força concentrada em pontos tão pequenos como os braços e pernas do super herói, faria ele entrar na montanha, entrar no chão ou ambos. Com mais pontos de apoio (alguns milhares de braços e pernas) poderia ser viável, assim como acontece com a “cama de pregos”.

2 – Salvar alguém caindo do prédio

Para distrair nosso herói, testar seu compromisso entre o bem coletivo versus o individual ou apenas por zoeira, o vilão joga a mocinha do topo do prédio. Nosso herói a centenas de quilômetros do local voa o mais rápido possível em direção a mocinha cadente e resgatá-a em plena queda.

Em nosso relato falta a frase: “e parte a mocinha em vários pedaços”. Pois é… Somando as forças envolvidas, a massa da mocinha (por mais esbelta que seja) e a velocidade do nosso herói em sentido contrário, os braços do herói funcionariam como lâminas.

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Resultado do salvamento da mocinha em queda

Atrevo-me a dizer, que dependendo da velocidade, talvez apenas deixar a mocinha cair aumentaria suas chances de sobreviver. Ele também poderia acompanhar a velocidade da queda e reduzir junto com ela aos poucos.

3 – Voar rápido demais

Moramos no fundo de um oceano feito de ar. O ar está por aí, oferecendo resistência ao movimento. Você que o diga, naqueles últimos 100 metros da corrida matutina (ou deveria dizer).

Imagine nosso super herói, muito preocupado com a fome no mundo e o desperdício de alimentos. Ele pressente um desastre: uma manga coité orgânica se solta do galho e está prestes a chegar ao chão e se estragar. Estando do outro lado do planeta, o super herói voa mais rápido do que qualquer máquina conhecida.

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Só que tudo “pega fogo”. Inclusive o ar.

O problema é que nosso herói nessa velocidade toda, atritando contra o ar, pode incendiar a atmosfera. Há uma polêmica na ciência se uma reação assim teria uma dimensão continental ou global, mas todos concordam que é algo que estragaria o dia de muita gente.

Curiosidade: Esse risco foi assumido várias vezes em nossa história recente, na detonação de artefatos nucleares. Em 30 de Outubro de 1961 corremos o maior deles na detonação de teste da Tsar Bomba russa. 8-| Tenso!

Bonus track: Girar a Terra ao contrário

Em um carrossel bem rápido ou em um espalha brasa, o que você acha que aconteceria com as pessoas se parássemos muito rápido?

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Aaah Inércia malvada…

A Terra gira a aproximadamente 1.600 km/h em relação a seu eixo. Para girar a Terra ao contrário em algum momento ele teria que parar. Mas a Sra. Inércia tentaria manter tudo na superfície em movimento. Tudo sobre a superfície seria lançado no espaço. A diminuição de velocidade poderia então ser lenta e gradual, mas nesse caso a vida poderia ser extinta por mudanças climáticas.

Fora isso, comparando a Terra a uma maçã, a parte sólida do planeta seria da espessura da casca e ainda sim, dividida em vários pedaços. O restante é “pastoso”, unido quase só pela gravidade. Além do ato de girar a Terra ao contrário não fazer bem ao seres vivos e ao planeta, certamente não fariam o tempo regredir (Sorry Lois).

Salve outras mentes diligentes do tédio. Faça esse texto girar mais rápido. Curta, compartilhe e comente.

Autor do texto:
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Édson Patrício nasceu no século passado, mas sempre preferiu viver no futuro. Faz ciência (ao seu modo) desde 8 anos de idade. Se diverte com eletrônica e desenvolvimento de software desde seus 13 anos. É diretor técnico e meme “challenge accepted” da empresa Verde Tecnologia. Há 10 anos trabalha com Inteligência Artificial, Visão Computacional e mais recentemente sistemas altamente escaláveis em nuvens elásticas.

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